Falta de vergonha ou desespero? Como ‘Doomsday’ prova que a Marvel trocou o roteiro por muletas de nostalgia barata
A transformação de ‘Avengers: Doomsday’ em um verdadeiro balcão de penhores da nostalgia escancara a falência criativa definitiva do Marvel Studios. Em vez de construir arcos dramáticos sólidos, desenvolver vilões com peso real ou assumir as consequências das próprias escolhas narrativas na Saga do Multiverso, a cúpula executiva preferiu assinar cheques astronômicos para ressuscitar rostos familiares em participações especiais preguiçosas. É o cinema reduzido ao truque mais rasteiro do parque de diversões: jogar cameos desconexos na tela a cada dez minutos para gerar gritos fáceis na plateia e esconder o fato de que não há absolutamente nenhuma história coerente sendo contada.
Mais patético do que a manobra corporativa é tentar vender esse desespero comercial como se fosse um ‘grande plano mestre’ pensado desde o início. Usar ícones do passado como muleta para tampar buracos de um roteiro remendado às pressas por comitês de marketing não apenas destrói o legado de obras que já tinham um encerramento digno, como também confirma que o estúdio perdeu completamente a coragem de criar algo novo. Quando o fan-service barato substitui a escrita, o que sobra na tela não é um evento cinematográfico, mas um atestado público de incompetência disfarçado de homenagem.
